orelha

Ante as agressões de igrejas neo-pentecostais às religiões afro-brasileiras, a pergunta que este livro tenta responder é: que caracteriza as perspectivas em confronto nesta "guerra santa"? Bruno Reinhardt indagou o ponto de vista de cada um dos envolvidos. A tese central resultante é que a intenção guerreira dos neo-pentecostais não encontra compatibilidade nem correspondência de sentido na acolhida dos terreiros de candomblé. Trata-se de visões religiosas que se encontram, porém sem tornar-se nem equivalentes nem simétricas, já que não parece haver uma base consensual mínima capaz de vincular os oponentes num horizonte único de sentido e intencionalidade. Se de um lado há uma guerra deflagrada, do outro há uma tentativa de ler os signos da agressão à luz de um códice ancestral que fala de agregação, inclusão e acolhimento. A reciprocidade da guerra é, portanto, uma impossibilidade entre mundos com valores e projetos incomensuráveis.