orelha

"Ninguém faz o Caminho impunemente." É o que dizem neste livro os brasileiros que, nos últimos momentos do século XX, percorreram-no até Santiago de Compostela, pelo norte da Espanha. Para melhor compreender a trama de significados e sentidos contidos nesta afirmação, Sandra Carneiro acompanhou um grupo caminhante e fez ela mesma o Caminho. Alimentada por esta significativa experiência existencial, a pesquisadora desenhou os percursos de sua pesquisa e os rumos de uma desafiante reflexão teórica. Assim, como convém à boa etnografia, peregrinos, hospitaleiros, santos, bruxos, padres e magos apresentam suas diferentes formas de troca e de convivência. Tudo ganha um sentido coletivo pelo que cada viajante escuta, fala e faz, antes, durante e depois da experiência, seja por meio de encontros presenciais, seja por meio de intensas comunicações virtuais. A rigor, este rico mosaico expressa significativas dimensões da religiosidade contemporânea. Nele, evoca-se um território e uma tradição católica em um tempo histórico marcado pela desterritorialização e pelo pluralismo religioso.