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Este livro versa sobre as relações entre Igrejas e Estado, religião e política, nos países do Cone-Sul: Argentina, Brasil e Uruguai. Cada um destes países tem tido histórica e atualmente relações específicas - jurídicas e quotidianas - entre essas duas esferas sociais, configurando três distintos modelos dessa relação.

Esse objeto se inscreve na perspectiva analítica de um dos mais importantes temas das Ciências Sociais, o da secularização, de acordo com a tradição anglo-saxônica, ou da laicização, segundo a tradição latina. Trata-se de um tema que tem atirado a atenção desde os primórdios da disciplina e que na atualidade se impõe ao olhar atento de todos quantos observam as transformações que estão ocorrendo nos campos da política e da religião, e, sobretudo, das relações entre si, nos diferentes países, tanto do Norte quanto do Sul, dos vários continentes.

O leitor encontrará, pois, neste livro toda uma discussão teórica acerca da questão da secularização e da sua pertinência para a análise da realidade dos países do Cone-Sul. Ou seja, essa problemática virá à baila inicialmente nas análises que versam sobre a situação da Argentina, um país em que historicamente o catolicismo detém o status preferencial de religião oficial, tendo contado fortemente para o jogo de legitimações mútuas de dirigentes políticos e eclesiásticos, mas que na atualidade uma série de conflitos entre a Igreja e o governo está produzindo uma reformulação nessa armadura histórica das relações entre eles. Em seguida, o tema é posto em relevo no caso do Brasil, através da recuperação dos principais momentos históricos e jurídicos constitucionais das relações entre religião e política, Igreja Católica e Estado, mas também da análise sobre a importante inserção evangélica na política, e mesmo na política institucional do país, que está ocorrendo há duas décadas, com a formação das chamadas “bancadas evangélicas” tanto no Congresso Nacional quanto em várias assembléias legislativas estaduais. Enfim, e não menos importante, é analisado o caso do Uruguai, país em que as relações entre Igreja Católica e Estado se modificaram ao longo do tempo, passando de uma relação histórica arduamente conflitiva e opositiva para uma relação de aproximação e de colaboração mútua.

O livro é parte integrante do Pronex “Movimentos Religiosos no Mundo Contemporâneo” e dele participam antropólogos e sociólogos que, entre outros pesquisadores, têm, nos últimos anos, investigado as relações entre religião e política em seus respectivos países, a saber: Pablo Semán e Eloísa Martin (Argentina), Ari Pedro Oro e Ricardo Mariano (Brasil) e Nicolas Guigou (Uruguai).