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Com a publicação do livro Infância: Sociologia e Sociedade, inauguramos o selo Levana, que reúne obras no campo das pesquisas e das práticas educacionais, desenvolvidas especialmente por pesquisadores brasileiros, além de conhecidos e reconhecidos especialistas estrangeiros. Dirige-se a estudiosos, profissionais, estudantes dos cursos de graduação e pós-graduação no campo das ciências humanas, profissionais que atuam com crianças de 0 a 10 anos de idade, e demais interessados nas temáticas afins à educação. As obras selecionadas para este selo primam pelo rigor teórico e metodológico e disponibilizam uma ampla e variada bibliografia. Levana é a deusa romana da elevação, protetora das crianças pequenas, que, ao nascer, são erguidas pelos pais em direção à lua ou à primeira estrela, para que ela lhes confira dignidade. É a divindade que as educa e acompanha seus primeiros passos, ensinando-lhes a força da paixão e da tentação, o gosto pela luta e a energia da resistência.

O nome Levana é também uma homenagem ao filósofo Germano-Francês Johan Paul Richter (1763-1825), ou simplesmente Jean Paul, como preferia ser chamado. Dele emprestamos o título de sua obra, bem como partilhamos de uma ideia de educação, já presente no século XIX, que ainda tem pouca visibilidade no pensamento pedagógico contemporâneo.


orelhas:

As análises dos diversos textos que compõem esta obra confirmam um dado de extrema relevância: a infância se afirma e obriga-nos a reconhecer sua centralidade como categoria estrutural e social, e, consequentemente, assumi-la como sujeito central nos estudos das diversas ciências e nas políticas públicas. Reconhecer a infância como categoria estrutural, social, amplia sua compreensão e revela a complexidade desse tempo humano. Traz apelos urgentes para aproximar-nos da atenção com que é analisada pelas diversas ciências. Esta é uma intenção que transpassa todos os textos: olhar as formas complexas e tensas de viver a infância e aprofundar as indagações que vêm da infância para as diversas ciências e para a sociedade.

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Uma rica contribuição das análises é permitir comparar os processos de reconhecimento e os estudos da infância em outros contextos sociais, políticos, culturais e na concretude de nossa história. Uma pergunta perpassa as análises: que infâncias têm sido o foco dos estudos da infância? Que infâncias têm sido reconhecidas como categoria social, política, pedagógica? Uma das riquezas da diversidade de textos sobre o reconhecimento da infância em vários contextos é provocarmos essa indagação: que infâncias são privilegiadas, reconhecidas, e que outras secundarizadas ou não reconhecidas, deixadas de fora nos estudos da infância e nas políticas públicas?

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A pedagogia nasce colada ao reconhecimento da infância. O reconhecimento da pedagogia esteve sempre condicionado ao reconhecimento da infância como sujeito de direitos, do direito à educação e ao cuidado, entre outros. A escola se afirma igualmente condicionada ao reconhecimento da infância a espaços públicos. A escola como espaço-tempo do direito da infância à educação e ao cuidado. Os educadores se afirmam como profissionais desses direitos da infância. Na diversidade de contextos que os textos analisam aparecem com destaque esses entrelaçamentos. A pedagogia, a docência, a escola se tornam mais inteligíveis, aprofundando na relação que esta coletânea destaca: Infância-Sociologia-Sociedade.