O joaseiro celeste
Tempo e paisagem na devoção ao Padre Cícero

Francisco Salatiel A. Barbosa

ano: 2007
nº páginas: 208
formato: 16 x 23 cm
ISBN 978-85-85115-35-7

O joaseiro celeste

R$34.00Preço
  • Este é um livro que se pode considerar como produto de um longo processo de vida e de maturação intelectual. Muito me honra ser testemunha deste processo, pois conheço e acompanho o autor desde nosso tempo de ginásio no Colégio Diocesano do Crato e sobretudo no Seminário São José, há mais de cinqüenta anos. Passamos juntos pelo velho Seminário da Prainha e chegamos juntos à Universidade Gregoriana, em Roma. Lá, ele deu prosseguimento à sua brilhante formação acadêmica no Instituto Bíblico, em que desenvolveu sua visão antropológica do diálogo do homem com Deus. Um doutorado em antropologia pela Universidade de Brasília veio dar a culminância de um luminoso itinerário.

    Salatiel tem alma de místico e espírito de romeiro, que se revelam nas páginas desta obra. Não foi por acaso que nós, seus colegas, o apelidamos carinhosamente de “meu padim”. Nele se concentrava sempre uma profunda atenção ao mistério do Joaseiro místico, em respeito profundo à figura do romeiro.

    Este livro supera a perspectiva tradicional da preocupação com o certo e o errado num pretenso julgamento histórico. Ele examina a busca de Deus pelo homem simples, pobre, desprotegido e explorado comercial e politicamente, até mesmo nesta procura de um espaço de expressão de sua fé que o purismo teológico pode não ter condições de perceber senão como uma crença.

    Esta é uma obra de reconciliação, que ultrapassa as demarcações de antigas contradições históricas numa síntese antropológica. Talvez se decepcione aquele que procurar neste livro a confirmação da velha postura do “a favor ou contra” de antigas e novas produções sobre a trilogia Joaseiro, Padre Cícero e seus romeiros. Mas há de ter o espírito renovado aquele que souber ler esta obra como um testemunho pessoal de uma investigação profunda sobre um fenômeno que permanece desafiando a capacidade missionária e a competência pastoral, tal como nossa geração vivenciou.

    Vicente Madeira